Como melhorar o controle de qualidade nas indústrias de automóveis brasileiras

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Dentro do cenário atual, manter-se competitivo tornou-se uma batalha a ser travada diariamente. Nenhuma indústria está confortavelmente no topo do seu segmento sem se preocupar com o que está sendo entregue aos seus clientes. Prevenir-se de qualquer risco tem sido a maneira mais eficaz de não causar atritos com seus consumidores e de atender suas expectativas. Para tanto, a busca na gestão do controle de qualidade tem sido uma meta diária, principalmente quando falamos do setor automobilístico.

Renovar o design e a tecnologia é um ponto importante nesta área, mas ficam em segundo plano quando entramos no quesito qualidade do produto, pois uma falha pode resultar em risco à vida do cliente. O consumidor quer ter a certeza que, ao realizar sua escolha, terá a junção de beleza, conforto e segurança, que são garantidos desde o processo de montagem até a chave em sua mão.

A Engenharia tem trabalhado arduamente com ferramentas que prevejam os problemas que podem ocorrer com o produto e, assim, as linhas de produção consigam se tornar ainda mais eficientes. Como então podemos pensar em qualidade neste setor?

 

A qualidade no setor automobilístico: foco na gestão

 

Os conceitos e definições da qualidade foram sendo aprimorados no decorrer dos anos e alinhados ao crescimento da escala de produção. Dos anos 80 para os 90, o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP) incentivou missões ao exterior e treinamentos intensivos no País, com o objetivo de ensinar e difundir os preceitos e técnicas para a obtenção da qualidade e produtividade pelas empresas e demais organizações aqui radicadas. Como consequências destes processos, emergiram, como principais formas de gestão da qualidade e produtividade no Brasil, o sistema japonês e as normas série ISO 9000.

O sistema japonês, chamado de Total Quality Control (TQC), embora seja um sistema voltado para a gestão, resulta do conjunto de práticas utilizadas naquele país que conduziram suas principais empresas à condição de exemplos mundiais no tocante à qualidade e produtividade. O TQC segue os seguintes preceitos:

  • Comprometimento da administração;
  • Decisão baseada em fatos e dados;
  • Emprego vitalício;
  • Melhoria contínua (kaizen);
  • Produção just-in-time;
  • Círculos de controle da qualidade – CCQ;
  • Novas ferramentas;
  • Desdobramento da função qualidade – QFD;
  • Gerenciamento pelas diretrizes.

 

Já a implementação da série ISO 9001 foi uma iniciativa adotada por muitas empresas, com o objetivo de melhorar a organização por meio de um processo de desenvolvimento contínuo. O propósito é conseguir a melhoria da eficácia do sistema de gestão da qualidade, com foco no atendimento e na satisfação dos requisitos do cliente, tornando a organização confiável e possibilitando que todas as transações interligadas e sistemas de documentação sejam eficazes. A meta é garantir que o relacionamento com clientes, fornecedores, acionistas e colaboradores funcione plenamente. A norma se baseia nos seguintes princípios de gestão da qualidade:

  • Foco no cliente;
  • Liderança;
  • Envolvimento das pessoas;
  • Abordagem de processo e Abordagem sistêmica;
  • Melhoria contínua;
  • Abordagem factual para tomada de decisões;
  • Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores.

 

Ela ainda apresenta requisitos quanto aos seguintes tópicos, devidamente detalhados no texto da norma:

  • Sistema de gestão da qualidade;
  • Responsabilidade da direção;
  • Gestão de recursos;
  • Realização do produto;
  • Medição, análise e melhoria.

 

Ao pensar, então, em qualidade na indústria automobilística e nos problemas que podem ocorrer no processo, temos que pensar também que, na pior das hipóteses, estes são resultados indesejados, mas que direcionam a instalação de ambientes eficazes, detalhados e alinhados aos propósitos da organização. Os imprevistos abrem caminhos para inovações e melhorias nos processos. Sendo assim, para garantir tal movimento de forma saudável, é importante manter dinamismo e usar ferramentas que efetivem uma análise e direcionamento de problemas eficazmente. Vejamos algumas delas:

 

Ferramentas da qualidade e análise de problemas

 

Existem várias ferramentas que colaboram na identificação e compreensão de problemas relacionados à qualidade. Podemos diferenciá-las entre ferramentas estratégicas e ferramentas estatísticas. As ferramentas estratégicas são aquelas utilizadas para gerar ideias, estabelecer prioridades e investigar causas para os problemas encontrados. Já as estatísticas medem o desempenho nos processos para direcionar as tomadas de decisões necessárias para alcance das melhorias desejadas.

 

Existem 7 ferramentas básicas de qualidade mais utilizadas:

  • FOLHA DE VERIFICAÇÃO – é uma ferramenta usada para quantificar a frequência com que certos eventos ocorrem, num certo período de tempo.
  • GRÁFICO DE PARETO – é um gráfico de barras, construído a partir de um processo de coleta de dados (em geral, uma folha de verificação). Pode ser utilizado quando se deseja priorizar problemas ou causas relativas a um determinado assunto.
  • DIAGRAMA DE CAUSAS E EFEITO – também conhecido como “Espinha de Peixe” ou diagrama de Ishikawa, foi originalmente proposto pelo engenheiro químico Kaoru Ishikawa, no ano de 1943, e foi aperfeiçoado nos anos seguintes. No diagrama de causa e efeito, todos os problemas podem ser agrupados em quatro diferentes tipos, chamados de 4M’s, que são: método, matéria, mão-de-obra e máquinas. O resultado do diagrama é fruto de um brainstorming, sendo este o elemento de registro e representação das informações.
  • CARTA/GRÁFICO DE CONTROLE – é um tipo específico de gráfico que serve para acompanhar a variabilidade de um processo, identificando suas causas comuns (extrínsecas ao processo). Segundo Sommer (2000), “é um método para análise e ajuste da variação de um processo em função do tempo”.
  • HISTOGRAMA – é um gráfico de barras que mostra a distribuição de dados por categorias. Enquanto os gráficos de controle mostram o comportamento de uma variável ao longo do tempo, o histograma fornece uma fotografia da variável num determinado instante. Representa uma distribuição de frequência.
  • DIAGRAMA DE DISPERSÃO – ajuda a visualizar a alteração sofrida por uma variável quando outra se modifica.
  • FLUXOGRAMA – uma das maneiras de representar como o processo funciona, de descrevê-lo de modo a permitir um entendimento rápido. O fluxograma utiliza símbolos padronizados, que facilitam a representação dos processos.

 

É importante lembrar que estamos falando em gestão e análise de qualidade, e que as ferramentas são aplicáveis, primeiramente, conforme a realidade da organização. Para aprimorar tais estratégias, é possível utilizar softwares para ampliar a eficácia dos processos, vistorias humanas, sensores e sondas de medição das peças utilizadas ou detectores de defeitos como o Magnaflux TM.  Esse detector, por exemplo, utiliza uma combinação de luz ultravioleta e solução magnética, permitindo que uma câmera empregada no processo de inspeção visual detecte defeitos de forma mais precisa, já que ela proporciona um ângulo constante da câmera em relação à superfície da parte inspecionada. A ideia é que, quando se fala de qualidade na indústria automobilística, deve-se pensar em aliar gestão e inovação em busca de um produto que garanta a satisfação do cliente e alcance os objetivos dentro dos princípios norteadores da empresa.

 

REFERÊNCIAS:

DAYCHOUW, M. 40 ferramentas e técnicas de gerenciamento. Rio de Janeiro: Brasport, 2007.

LENZI, C. F., et al. Ação empreendedora: como desenvolver e administrar o seu negócio com excelência. São Paulo: Gente, 2010.

SOMMER, R. (2000). Discipline and field of research: A search for clarification. Journal of Environmental Psychology, 20, 1-4

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